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derrames de quem sou

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As palavras foram para mim muito mais do que gestos, deixei-me muitas vezes cair nas mentiras que estas traziam e acreditar no que eu própria te falava. Sexo foi - durante o tempo que perco e que nunca recuperei - a única forma de amor que conheci, a única forma de paixão, de mostrar quem sou e ser quem sou, nua de preconceitos mas agora manchada deles. Em amar sempre fui uma nódoa e quanto a sentir - bem sabemos que são minas de problemas, sentir é tão essencial à dor como a vida à morte. Sabes pétala, amor nunca foi uma prioridade na minha vida. Talvez durante os tempos a adrenalina e a paixão que o sexo trazia à minha vida fossem essenciais à existência da minha tão precoce loucura. Mas eu saí da minha negação e a minha loucura estoirou, a raiva encheu a minha vida por escassos mas intensos dias e também ela acalmou. E eu tive a minha negociação,  tive-a toda, e o choro e o medo e toda essa parte a que c...
Há quem diga que nasci para ficar sozinha, que todo o meu ser apela a solidão. Pessoas nunca foram o meu forte, nunca aquilo em que depositei todas as minhas esperanças. Aliás, em tempos foram para lá de sonhos e amores, foi lá que adormeci descansada para acordar no maior circulo de feras da minha vida. Talvez, e correndo - novamente - o risco de te enganar, tenha sido lá que me perdi, e talvez ainda tenhas razão quando dizes que não funciono bem. Há em mim uma percentagem acentuada de esperança, quase que um grito no meu peito. E há em ti uma descrença e desamor que talvez não tenha retorno. Talvez tu fosses o estável e certo, aquele que viveu a meu lado a pensar noutra qualquer mas que no fundo estava certo. E eu estivesse irremediavelmente errada, focada apenas em ti, aprendo a amar pouco a pouco. Porque eu sempre soube falar de amor e tu sempre soubeste amar os outros que não eu.

Derrames de cépticos

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Toda a dinâmica que envolve a palavra amor sempre foi para mim meio mistério, meio saudade. Toda a vida vivi em redor de tal sonho e mesmo sem saber amar, sei tão bem falar de amor. No fundo de tudo o que acredito há uma grande cota de romantismo, tudo em mim é saudade, tudo em mim é amor. As minhas letras e palavras foram as que me foram mais queridas, as que me faziam acreditar que - talvez - um dia existisse algo tão bom como a minha descrição em prosa de ti. Romântica na teórica e por escrito, reinventei mais de mil crenças e renasci de todas as cinzas dos meus sonhos destruídos nas chamas da raiva que sempre fui. Na prática, quando me pedem exemplificações físicas, não sou mais do que uma céptica desagradada, envolvida no desamor do mundo e na descrença de palavras como amor . Sou, na prática, o bicho mais sexual e racional, sou aquele que não crê em palavras moles, que não se rege pelos padrões de fantasias à luz das velas...
Talvez isto não aconteça a toda a gente, mas no meu caso eu comecei um namoro com a pessoa com quem estava porque, um dia, apercebi-me que ele preenchia todos os meus padrões. Começamos porque achei que tinha encontrado algo melhor ainda do que espera, melhor ainda do que sonhei sempre cepticamente. Um dia, anos depois, eu acordei e os meus sonhos não correspondiam a realidade da almofada ao lado da minha. E posso ser eu a ter mudado os meus sonhos ou ele a mudar o que era mas, no meu presente aqui imaginado, eu não sonho mais com a realidade e os meus padrões estão bem mais a cima do que o coração desonesto que não é meu e que tenho em meu peito.

Derrames de Espectros

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Viver na capital era para ela um pecado em si - explicava calmamente do outro lado da linha - dizia que nada se encaixava no seu ser, que todas as dúvidas sobre as suas escolhas surgiam agora entre a noite que ainda não adormeceu pela manhã. Dizia ela ter medo , algo tão raro desde que a conheço - e acredita, conheço-me a muitos anos - medo de não saber quem era, de acordar um dia com uma ânsia tremenda de correr para ou braços de outra mulher e não querer mais voltar às origens. Dizia ela que a sexualidade era um espectro, como já ouvira uma vez numa serie televisiva, e que acreditava que muitas pessoas se encontravam algures no meio. Estaria ela a considerar-se no meio ou a esperar estar apenas no meio? Cruzava e descruzava as pernas conforme se lembrava do mal que fazia e continuava a divagar. Os sonhos mudam com o tempo ou com as pessoas em si? Perguntava. Será então possível uma pessoa permanecer a mesma mas todos os seus sonhos mudarem de lugar? Para mim a resposta...
Há dois anos que és a estrela mais bonita do céu. Mas soubesse tu a falta que me fazes com os pés na terra. Com muita suadade, minha avó. 
" I watch you rise.  I watch you fall.  While I am standing with my back against the wall.  Now it's your turn to finally learn.  You had the world,  You had your fling,  You wanted more than everything.  You got your wish,  You got your prize,  Now take it right between your thighs.  You grabbed for everything, my friend,  But don't you see that in the end  There will be nothing left of me"  You're just an appetite,  And if you stopped being greedy, you'd die.  You take everything, and I'm empty.   Marion Cotillard, Nine  
Talvez seja neste pedaço de papel que a resposta esteja, talvez seja aquilo que eu preciso que está em falta, talvez seja aquilo que te dou e que nunca recebo, aquilo que não tenho entre as mãos e que me dói tanto no peito que não palpita e nos olhos que não choram. Espero que saibas que sou eu que aqui estou, que sou amor nos teus braços mas sou só eu fora deles. Um dia vais perder a lua a contar as estrelas, as tuas pequenas liberdades instantâneas, aquilo que te apetece contar no momento. Um dia vais chegar a casa, àquela que achavas ser minha e tua e eu não vou mais estar à tua espera, eu não vou mais ser a tua lua que nunca foi tua prioridade. E um dia dodô, um dia eu vou ser o céu inteiro de alguém.

Corações Comunistas

Mãe, eu quero ficar sozinho… Mãe, não quero pensar mais… Mãe, eu quero morrer mãe. Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe… Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar… (…) Pela vaga de fundo se sumiu o futuro his...
Eu apaixonei me por ti no dia em que me apercebi que eras o homem dos meus sonhos. E um dia acordei e tu já não estavas nos meus sonhos, tu já não eras os meus sonhos. Sendo que 'tu' é uma palavra inconstante e 'sonhos' não se repetem de ano após ano.
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Cada batimento  cardíaco  é como um prego a trespassar a pele, cada palpitação outro prego e outra martelada no anterior. Cada um separado por  micro segundos , cada vómito separado por aquilo que sou e aquilo que me imagino ser. A imagem que vejo no espelho não sou eu e a dor de me sentir assim parece que nunca vai embora. A minha  vontade  de estar feliz desapareceu e tudo se torna cinza em meu redor, tudo o que nos meus dedos tocou virou  cadáver , tudo o que passou no meu corpo virou fera. Tudo de bom que passa por mim vira em coração furioso e mente transtornada. Não sou - hoje - mais do que alguém doente que gosta de ver tudo arder à sua volta, não sou mais que fogo sobre palha seca e inferno sobre a paz dos deuses. Hoje sou aquilo que odeias nos outros e aquilo que não queres para ti. Hoje não sou mais tua casa ou teu abrigo, não sou teu rochedo ou tua praia. Sou nortada quando navegas em mar alto e maré negra em cada canto. Sou tudo o que não ...
Meu dodo extinto, extinguiste do mesmo modo as nossas palavras inacabadas, extintas estão também todas as nossas memórias e os sonhos morrem à beira de água. Fomos bons recordo, e sei que te é difícil aceitar assim a minhas palavras, tudo porque tudo o que sou nunca foi suficiente, tudo o que és não gosta daquilo que vê. Fomos bons gostava de recordar, e penso quase em ter-te amada um dia. Pois dia a dia tudo morre no silêncio em que me deixas. Fomos bons? Não sei.
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As horas demoram dias a passar, o cansaço do silêncio desgasta as curvas de um sorriso outrora espontâneo. A solidão tem nome e sabe a mel, e com mel a espero e te espero a ti. Os dias  comem -me a epiderme aos pedaços. Não sou de bons argumentos, a minha vida foi marcada por discussões que perdi e diálogos que sonhei realizar. Amor era uma utopia para mim, algo que se cruzava com paixões que sentia de maneiras tão inimagináveis. Princesa de todas as torres, sonhadora de todos os sonhos, escritora dos contos de fadas. Assim vivi a palavra "amor" entre o partir e o ficar, entre a paixão e os gélidos dias do meu inverno o ano inteiro. (...) Sou as cores que não viste nas noites em que dormias sonhando com ela, as cores que trocaste porque te encontravas tão por colorir. E ainda assim - artisticamente - sempre foste mais colorido que eu, eu que sou carvão porque das cinzas se fazem todos os meus sonhos. Fomos sonhos bons, eu sei, e teremos ...
Somos sonhos que nunca acabam, algo que não podemos segurar entre os braços quando dormimos sozinhos. Somos algo bom que nos reconforta na solidão que é ser-se humano. Somos crianças com medo de dizer a verdade, com medo que a verdade nos coma o coração. Tu foste o melhor coração que conheci, mas o maior sonhador também. Preciso de realidades palpáveis, algo que possa apertar nas noites em que estamos juntos. Preciso de algo que não seja para ser sonhado mas vivido. Algo que possa sair dos sonhos para a palma das nossas mãos. Preciso de ti entre o meu peito e de nós entre os dias.
Não consigo dormir, os dias passam e eu não consigo mais  adormecer  sem pensar, adormecer  sabendo  que fiquei calada o dia todo. Não consigo falar, todos os dias os teus olhos calam-me os sonhos e os medos. Não consigo olhar-te nesses olhos que me mentiram  tantas  vezes e dizer a verdade. É como se mentir se tivesse tornado parte de nós e o símbolo de honestidade que eras para mim soa apenas a uma memória distante. Tal como eu, tal como eu um dia. Os sonhos que tinha para nós, as ambições que partilhamos agora parecem absurdas. Sonhadores. Aprendizes de Feiticeiros. Boa dia dodô, até ao dia.

Para sempre ou nunca mais

Os dias passam devagar e a impaciência parece diminuir à medida que a tua cresce. A necessidade de ficar sozinha sem ter de ficar só. O desejo de apenas um ombro e nada mais que possa correr pior. Um talvez para ti nao chega e para mim um 'se' é inseguro o suficiente. Para mim e para nós preciso bem mais do que um 'e se um dia', preciso de um 'nunca' ou um 'sempre'. São essas as minhas exigências: para sempre ou nunca mais.

Carpe diem

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Era dia-não. Dia de dizer que não de vez, era dia de abrir os olhos e chorar de cara lavada. A tua voz tremia, do outro lado promessas fazias e as tuas palavras trocavam-se nos medos. A minha voz não tremeu nesse dia, não dizia ainda não mas não dizia de todo sim . O teu choro pedia uma resposta, os teus olhos de cachorro pediam-me que ficasse, conhecia-os tão bem, de tantos anos, a necessidade de segurança que afinal era superior à minha, a necessidade de futuro tão superior à minha vontade de comer o presente. Era esse o nosso destino, realidade apontadas a objetivos diferentes, ambos encostados a passados que não se cruzaram ou se entenderam. Tudo na minha vida era baseado num passado perto, usava-o como desculpa para a necessidade de ver tudo tão efémero, a necessidade de querer um presente a cima de um futuro incerto. A preciosidade que era para mim o momento e não a esperança do amanhã. A vida um dom; o sexo uma brincadeira de mau gosto; o amor água de lavar...
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Somos feitos de materiais diferentes, pedaço que explodem ao contacto pele a pele. Somos cacos de memórias daquilo que fomos, sonhadores de que - um dia - a sensação de satisfação vai voltar e a palavra amor vai fazer de novo sentido. Somos coisas diferentes que acreditaram que os oposto se atraem, ingénuos que achavam que se conseguiam moldar um ao outro. Mentirosos que não acreditavam num futuro em conjunto mas disseram que sim no dia da verdade. Fomos bons um dia, eu sei. Mas tu não sabes mais dizer a verdade, tu não sabes mais gostar de mim pelos dias-não, não consegues mais achar que os dias-sim valem a pena. E eu sei qual é o teu tipo de casal e o teu tipo de amor, mas também era suposto saberes o meu, também era suposto saberes quem sou, também era suposto amares-me por aquilo que sabes.

um dia papá

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derrames junto do douro e tão longe de mim

Catarina é um pouco de nada e um pouco de mim, um pedacinho de tudo o que amo e tudo o que temo. Coração forte mas morto, fígado intacto depois de um verão numa herdade. Catarina era o sonho de alguém confuso como eu, os delírios de alguém que nunca sabe onde é o seu lugar. Catarina sou eu e és tu. Tudo o que a rodeia é um pouco de nós. E quando leres as suas páginas, sentires a sua dor, a sua paixão, tu vais ver-te espalhado pelo corpo dela., tu vais ver-te espelhado nas minhas letras.