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Metade

Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca Porque metade de mim é o que eu grito A outra metade é silêncio Que a música que ouço ao longe Seja linda ainda que tristeza Que a mulher que amo seja pra sempre amada Mesmo que distante Pois metade de mim é partida A outra metade é saudade Que as palavras que falo Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor Apenas respeitadas como a única coisa Que resta a um homem inundado de sentimentos Pois metade de mim é o que ouço A outra metade é o que calo Que a minha vontade de ir embora Se transforme na calma e na paz que mereço Que a tensão que me corrói por dentro Seja um dia recompensada Porque metade de mim é o que penso A outra metade um vulcão Que o medo da solidão se afaste E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso Que me lembro ter dado na infância Pois metade de mim é a lembrança do...

Home is in your arms

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Hoje os meus avós venderam a casa onde cresci. Quando me ligaram fiquei imensamente contente pois sei que já estavam a tentar há quase um ano e sei que é uma boa noticia para eles. A minha avó disse que, agora na casa nova, não tinha saudades do desconforto e do frio da casa antiga, nem do cheiro a tabaco das casas dos vizinhos, mas que tinha pena pelas memórias dos netos no terraço, a brincar, a correr e a gritar. Eu ri-me e disse-lhe que em tempos aquela tinha sido a cada ideal para nós e para eles mas que já não era mais. Depois desliguei o telefone. Uma onda de saudade inundou-me de repente. Durante os anos mais jovens e instáveis da minha vida eu vivi naquela casa com aqueles seres extraordinários e muitas das minha memórias estarão eternamente ligadas aquelas paredes e aquele terraço aberto para onde corria quando o ar me faltava. Não vou esquecer as nossa mini piscina quando éramos mini humanos, os infinitos almoços de familia em que 10 pessoas falavam em simultâneo de pelo meno...

Bring your love baby I can bring my shame

Eram oito da manhã e o pequeno almoço parava-lhe no estômago como se de um ato violento se tratasse. Tudo o que sentia era ódio, desprezo e uma profunda tristeza que não lhe saía do corpo. Talvez estivesse tão habituada a ser miserável que nada lhe sabia bem, nada era suficiente e tudo lhe dava a volta ao estômago. Há muito anos que não sentia aquela sensação de copo meio vazio, aquela sensação de que, por melhor que fosse o momento, tudo a deixava naquele limbo da felicidade, sendo feliz à sua maneira. Não era algo que ambicionava, ser o tipo de pessoa que nunca estava feliz, mas a verdade é que era isso mesmo que via no seu futuro. Mesmo que melhor, mesmo que distante, parecia sempre tão aquém dos seus sonhos de criança. Talvez o problema fosse estar no sitio errado, talvez estivesse a caminhar há anos na direção oposta e, agora que olhava para trás, já n...
Quando as pessoas olham para nós ao longe, eu não acredito que nos vejam como o casal perfeito, de longe penso que nos enquadramos sequer num casal normal . Mas a verdade é que tu não me conheces a mim e definitivamente não o conheces a ele. Não posso dizer com todas as minhas certezas que ele é o amor da minha vida ou que me espelho nele de uma maneira tão completa que é quase romântica. Mas eu posso dizer-te que eu era a boneca mais partida da loja, eu posso dizer-te que quando ele me conheceu eu estava irreconhecível de dor e angustia e nem sequer imaginava ser possível sair daquele lugar tão calmamente negro onde eu habitava, naquela loja tão empoeirada e com um aspecto tão confortavelmente baço. Por isso acredita em mim quando te digo que, apesar de por vezes me esquecer qual o sabor da palavra amor , ele será sempre o meu herói O herói que esteve lá para mim quando eu não sabia que precisar de um. Espero que nunca saibas o que é estar tão profundamente afundada como eu es...
- E se ele é realmente o tal ? E se, no final de tudo, ele é o amor de uma vida? Da tua vida. Duas lágrimas escorrem brilhantes e assimétricas ao luar, refletindo o negro mar e um céus sem estrelas. Sabia que aquela pergunta não era minha, era dela. Eu sabia o que ela sentia e sabia que aquilo ia tentá-la. - O peito dói-me cada vez que penso nele, e por vezes não consigo afastar o odor do seu perfume do meu pensamento. Mas em sei quem sou, mesmo quando não sei o que quero, eu sei o que sou . E eu nunca serei suficiente, não para ele, não para alguém que eu quero tanto e ao mesmo tempo tenho tanto medo de ter.  Um suspiro sai-lhe entre um riso falso e atrapalhado. - Sabes o que é saber que se ama alguém e não poder dizê-lo em voz alta? Saber que o amo mas não poder dizer a mim mesma? Mata-me aos poucos por dentro. E este pequeno coração gelado tem tão pouco por onde morrer, tão pouco ainda por partir. Ela olha para mim com os olhos inudados de duvidas. - E se ele for o...

saudades minhas

Era um dia quente de um verão gelado e o sol queimava-me a pele pela madrugada. A minha boca seca pedia por algo que não água, algo que não tu. O meu coração estagnava lentamente no meu peito, meio morto, meio teu. A minha cabeça gritava por consciência, clareza, por sentimentos claros e razão. Esta era a pior parte do verão, a dor de não saber o meu lugar, a dor de não saber quem sou e no que acredito. E as mãos tremem enquanto escovam este meu cabelo ruivo que despenteaste a noite toda, e a alma dói-me por ainda sentir os teus dedos enrolados nos meu caracois, os teus dedos dentro de mim, fazendo-me pecar em todas a definições possiveis ao homem. Sempre fui pecadora e sempre fui mentirosa. Esse não era o meu medo. Não era sobre arrependimento ou sobre lealdade. Era aquele aperto, aquela sensação suja que tinha quando me olhava ao espelho pela manhã. Maquilhagem tirada e cara lavada mas ainda assim não reconhecer quem te olha de volta, não reconhecer o rancor, o vazio e a impure...
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Quando era mais nova adorava que me dissessem: "fala sobre ti". Eu era tudo o que eu sonhava e idolatrava ao mesmo tempo e sempre me considerei segura para responder a tal pergunta. Mas os anos passam, os órgãos congelam e a sensação de estar doente, a lembrança do sangue a escorrer e das poças vermelhas no chão, causa nostalgia . Eu era uma boneca partida, era uma mentirosa (e tão boa como poucas), um ser infiel aos outros e a si próprio. E esta é a ultima caracterização que tenho de mim. Não era uma bonita imagem ao espelho e não é uma boa memória. Mas é tudo o que tenho e é quase tudo o que me ajudou a chegar até aqui. Mas o que é aqui? Que merda de sítio é este? Tenho o coração num canto e o cérebro olha para um lado diferente. Já soube o que era em tempo, e guardo com a carinho a sensação de conhecer quem somos. Mas eu não sei quem somos nós . E não sei de todo quem é aquela cabra que olha para mim com desdém ao espelho.
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'Cause there's this tune I found that makes me think of you somehow and I play it on repeat
Sempre jurei saber o meu lugar no mundo, sempre soube voltar a casa independentemente de onde o meu coração se deitava. Hoje olho no espelho com vergonha, estou perdida e não sei mais onde é o meu lugar.   
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" You love pink " " No, pink loves me " Modern Family

"Not today"

Foi difícil para mim chegar onde estou, ser o que sou hoje. Ainda neste presente, todos os dias tenho dúvidas, todos os dias há pelo menos um segundo em que olho para trás com medo. Mas a beleza de tudo está nestes pequenos momentos, não nas certezas nem nas utopias, mas sim nos arrepios, nas palpitações, nas lágrimas e na esperança. Sempre fui uma pessoa céptica, não sou de certo a maior sonhadora que o mundo já viu, e de longe a mais optimista. Mas aí está. O pico da minha adolescência já está marcado, ainda nem acabou e eu sei o que vai deixar cicatrizes. E sei que apesar dos amores, das grandes amizades, das famílias, as minhas memórias estarão para sempre inundadas de sacrifícios, paredes brancas, um chão coberto de sangue e iras que não consegui controlar. Mas naqueles momentos, horas, instantes, em que o meu inconsciente e consciente lutavam pela minha salvação e morte, eu escolhi ficar. Porque há sempre um momento, tal como há sempre um momento para decidirmos começar a...

Lucky 13?

É verdade que grande parte das nossas vidas não podem ser contadas pelos anos, e espero que - num futuro não muito próximo - um ano da minha vida não seja tão forte como foram todos eles até agora. 2013 foi para mim -  especialmente para mim - o ano depois do fim do mundo. Um ano que ficou marcado por reviravoltas, mágoas e grandes perdas.  Fica também neste ano que termina tão tarde, as minhas ultimas memórias do primeiro e talvez maior amor da minha vida. Fica a mágoa e a saudades que as lembranças me trazem e a vontade de voltar atrás, de um último passeio ao longo da praia, uma última corrida, um ultimo trambolhão das escadas. Só mais um dia pediria eu a quem mo pudesse dar, mais uma hora apenas, uma última despedida. Este ano trouxe-me também surpresas, e amigos que nunca acabam para uma vida inteira de loucura. Deu-me uma família nossa, de capa traçada e negro aos ombros, encontrei amigos que ficarão para uma eternidade intemporal. Deu-me certezas e muitas surpresa...
As minhas mãos tremiam sobre aqueles lençóis num misto da melhor e pior noite da minha vida. O meu peito doía, e no fundo deste algo negro ia crescendo pouco a pouco. Não era mais quem prometera ser, fiel, incondicionalmente àquilo que se ama. Ou talvez já não amasse mais.  As paredes estavam cobertas de sangue, o tapete ensopada naquele fluidos quente, vital e incolor que ninguém via, só eu. Ele sorria-me na ponta da cama e passava as mãos suaves sobre as minhas pernas de criança. Eu era uma criança nos seus braços, nos braços de alguém não tão mais velho que eu e que agora me pertencia como nenhum outro. E o mundo caia-me por entre os dedos, cerrados de pânico enquanto me apercebia, pouco a pouco, que aquele domingo iria assombrar me até ao fim dos meus dias. Ou não, a minha noção de consciência sempre deixara muito a desejar. - Tens um corpo lindíssimo - não sabia ainda eu que aquela frase me assombraria sempre e que, assim que alguém pronunciasse algo semelhante, eu voltaria aq...
Talvez eu esteja eternamente destinada a esta solidão amorosa à qual fui moldada. Cansada fiquei facilmente de me tentar encaixar onde não pertenço e de amar aquilo que não era meu para amar. Quando ele me abraça com força e me sorri com saudade eu sei que o amo e que este é o meu lugar. O meu lugar é um amor assim, onde não dói ir embora e é divertido poder ficar. Fomos feitos de matérias diferentes, rascados de memórias que o outro desconhece por completo. Talvez a minha maior duvida não seja o amor mas sim a minha necessidade dele ou a minha capacidade de gostar de amar. Amor nunca foi nada para mim, mesmo quando o amei com tudo o que havia para dar, eu continuei com tanto para mim, tanto que não era amor, tanto que era maldade e luxurias minhas. Porque o seu sorriso diz me sempre que está cheio de tudo, até de mim, das minhas pequenas maldades e ate quando se chateia eu sei que é por amor. E eu olho-o e sorriu e fazemos amor como se fosse lua de mel outra vez, mas eu sinto-me tão v...

à fful

" A Praxe é ingrata, ponto assente. Não há pastilhas que atem de novo as minhas cordas vocais. Não há água que reponha o que camisa absorveu ao longo de um dia. Não há gelo que acalme a dor nas plantas dos pés, que aguentaram o peso, de sol nascer a sol pôr. Não há alimento que encha o estômago, negligenciado a troco de mais um jogo. Não há Santa Paciência que beatifique as barbaridades que oiço, mesmo nas perguntas mais simples. Não há almofada que passe mais tempo encostada à cara do que a minha própria capa. Fiz noitadas, preparei equipas, equipamentos, o traje, trajes, figurinos e adereços, músicas, gritos, pinturas, a mente, o corpo. Dispendi sono, calorias, muitas calorias, voz, tempo, amigos, criatividade e imaginação, sola, mais calorias, saúde, dinheiro, interesses pessoais, férias. Mas há algo que paga tudo isto. Os primeiros sinais são simples. O sorriso cúmplice quando as flexões se tornam insuportáveis. A reposta soprada ao ouvido, ao colega recém-chegado. As gargan...
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“Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse ou se ao menos me desses as mãos como quem beija e não partisses, assim, empurrando o vento com o coração aflito, sufocado de segredos; se ao menos percebesses que eram nossos todos os bancos de todos os jardins; se ao menos guardasses nos teus gestos essa bandeira de lirismo que ambos empunhamos na cidade clandestina Quando as manhãs cheiravam a óleo e a flores... e o inverno espreitava ainda nas esquinas como uma criança tremendo; se ao menos tivesses levado as minhas mãos para tocar os teus dedos para guardar o teu corpo; se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos onde o teu rosto se esconde no meu rosto e a minha boca lembra a tua despedida, talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer essa cor perdida nos teus olhos.” Joaquim Pessoa
"We met it seems, such a short time ago. You looked at me, needing me so. Yet from your sadness, our happiness grew. Then I found out, I need you, too. I remember how we used to play. I recall those rainy days, the fires glowed, that kept us warm. And now I find, we're both alone. Goodbye may seem forever, farewell is like the end. But in my heart's a memory, and there you'll always be."
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Nunca fui dada a grandes epifanias, não sem as escrever, nunca acordei um dia com a sensação de que os meus sonhos e pesadelos me tinham dito algo que eu não sabia. Ou sempre soube tudo ou ainda hoje não sei nada. Considero que no fundo eu não tive um percurso de vida turbulento, não foi de todo o melhor e nunca me foi dado nada a que não tivesse direito, mas não vivi mal. Nasci no seio de uma família muito humilde mas com os melhores valores, que me deu todo o amor e apoio que precisei e que me ensinou grandes lições. Tive uma mãe de sonho, daquelas que contado ninguém acredita, um verdadeiro anjinhos que sempre esteve lá para mim mesmo quando eu pensava que não precisava, insistia que não queria. Quando ainda nem a maioridade tinha atingido - e há tão pouco tempo foi - lidei com alguns problemas na área da saúde e dei por mim num buraco onde me meti a mim mesma. Não fui de todo banhada de sorte nessa altura ou nessa área propriamente. Aprendi valores que não sabia que tinha...
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I´m a writer! I'm a liar!
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Eu era uma céptica como os outros, só mais uma ex-sonhadora com o coração desfeito em mil pedaços. O meu cepticismo foi parte do que me fez unir as peças, parte do que me fez ser o que sou e ver as coisas do modo cruel que as vejo. Nunca serei uma optimista como tão poucos ou uma apaixonada como a maioria dos novos. Colar aquilo que era meu, juntar todos pedaços demorou-me bem mais do que os séculos que vivi acorrentada entre mim e os outros, demorou bem mais do que as palavras que me são conhecidas. Sinto-me em pedaços, tudo o que sou em mil pedaços de memórias minhas. Tudo porque caí no mesmo erro cínico de tantos outros, uma optimista e sonhadora em relação à vida, em relação à esperança inconsciente que colocamos naqueles que nos são tão irremediavelmente queridos. Vida e morte, foda-se tiraram-me tanto! Hoje, e em muitos outros dias como hoje, o meu coração está partido pela vergonha de ser quem sou, pela aceitação de coisas em que nã...