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Eu apaixonei me por ti no dia em que me apercebi que eras o homem dos meus sonhos. E um dia acordei e tu já não estavas nos meus sonhos, tu já não eras os meus sonhos. Sendo que 'tu' é uma palavra inconstante e 'sonhos' não se repetem de ano após ano.
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Cada batimento  cardíaco  é como um prego a trespassar a pele, cada palpitação outro prego e outra martelada no anterior. Cada um separado por  micro segundos , cada vómito separado por aquilo que sou e aquilo que me imagino ser. A imagem que vejo no espelho não sou eu e a dor de me sentir assim parece que nunca vai embora. A minha  vontade  de estar feliz desapareceu e tudo se torna cinza em meu redor, tudo o que nos meus dedos tocou virou  cadáver , tudo o que passou no meu corpo virou fera. Tudo de bom que passa por mim vira em coração furioso e mente transtornada. Não sou - hoje - mais do que alguém doente que gosta de ver tudo arder à sua volta, não sou mais que fogo sobre palha seca e inferno sobre a paz dos deuses. Hoje sou aquilo que odeias nos outros e aquilo que não queres para ti. Hoje não sou mais tua casa ou teu abrigo, não sou teu rochedo ou tua praia. Sou nortada quando navegas em mar alto e maré negra em cada canto. Sou tudo o que não ...
Meu dodo extinto, extinguiste do mesmo modo as nossas palavras inacabadas, extintas estão também todas as nossas memórias e os sonhos morrem à beira de água. Fomos bons recordo, e sei que te é difícil aceitar assim a minhas palavras, tudo porque tudo o que sou nunca foi suficiente, tudo o que és não gosta daquilo que vê. Fomos bons gostava de recordar, e penso quase em ter-te amada um dia. Pois dia a dia tudo morre no silêncio em que me deixas. Fomos bons? Não sei.
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As horas demoram dias a passar, o cansaço do silêncio desgasta as curvas de um sorriso outrora espontâneo. A solidão tem nome e sabe a mel, e com mel a espero e te espero a ti. Os dias  comem -me a epiderme aos pedaços. Não sou de bons argumentos, a minha vida foi marcada por discussões que perdi e diálogos que sonhei realizar. Amor era uma utopia para mim, algo que se cruzava com paixões que sentia de maneiras tão inimagináveis. Princesa de todas as torres, sonhadora de todos os sonhos, escritora dos contos de fadas. Assim vivi a palavra "amor" entre o partir e o ficar, entre a paixão e os gélidos dias do meu inverno o ano inteiro. (...) Sou as cores que não viste nas noites em que dormias sonhando com ela, as cores que trocaste porque te encontravas tão por colorir. E ainda assim - artisticamente - sempre foste mais colorido que eu, eu que sou carvão porque das cinzas se fazem todos os meus sonhos. Fomos sonhos bons, eu sei, e teremos ...
Somos sonhos que nunca acabam, algo que não podemos segurar entre os braços quando dormimos sozinhos. Somos algo bom que nos reconforta na solidão que é ser-se humano. Somos crianças com medo de dizer a verdade, com medo que a verdade nos coma o coração. Tu foste o melhor coração que conheci, mas o maior sonhador também. Preciso de realidades palpáveis, algo que possa apertar nas noites em que estamos juntos. Preciso de algo que não seja para ser sonhado mas vivido. Algo que possa sair dos sonhos para a palma das nossas mãos. Preciso de ti entre o meu peito e de nós entre os dias.
Não consigo dormir, os dias passam e eu não consigo mais  adormecer  sem pensar, adormecer  sabendo  que fiquei calada o dia todo. Não consigo falar, todos os dias os teus olhos calam-me os sonhos e os medos. Não consigo olhar-te nesses olhos que me mentiram  tantas  vezes e dizer a verdade. É como se mentir se tivesse tornado parte de nós e o símbolo de honestidade que eras para mim soa apenas a uma memória distante. Tal como eu, tal como eu um dia. Os sonhos que tinha para nós, as ambições que partilhamos agora parecem absurdas. Sonhadores. Aprendizes de Feiticeiros. Boa dia dodô, até ao dia.

Para sempre ou nunca mais

Os dias passam devagar e a impaciência parece diminuir à medida que a tua cresce. A necessidade de ficar sozinha sem ter de ficar só. O desejo de apenas um ombro e nada mais que possa correr pior. Um talvez para ti nao chega e para mim um 'se' é inseguro o suficiente. Para mim e para nós preciso bem mais do que um 'e se um dia', preciso de um 'nunca' ou um 'sempre'. São essas as minhas exigências: para sempre ou nunca mais.

Carpe diem

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Era dia-não. Dia de dizer que não de vez, era dia de abrir os olhos e chorar de cara lavada. A tua voz tremia, do outro lado promessas fazias e as tuas palavras trocavam-se nos medos. A minha voz não tremeu nesse dia, não dizia ainda não mas não dizia de todo sim . O teu choro pedia uma resposta, os teus olhos de cachorro pediam-me que ficasse, conhecia-os tão bem, de tantos anos, a necessidade de segurança que afinal era superior à minha, a necessidade de futuro tão superior à minha vontade de comer o presente. Era esse o nosso destino, realidade apontadas a objetivos diferentes, ambos encostados a passados que não se cruzaram ou se entenderam. Tudo na minha vida era baseado num passado perto, usava-o como desculpa para a necessidade de ver tudo tão efémero, a necessidade de querer um presente a cima de um futuro incerto. A preciosidade que era para mim o momento e não a esperança do amanhã. A vida um dom; o sexo uma brincadeira de mau gosto; o amor água de lavar...
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Somos feitos de materiais diferentes, pedaço que explodem ao contacto pele a pele. Somos cacos de memórias daquilo que fomos, sonhadores de que - um dia - a sensação de satisfação vai voltar e a palavra amor vai fazer de novo sentido. Somos coisas diferentes que acreditaram que os oposto se atraem, ingénuos que achavam que se conseguiam moldar um ao outro. Mentirosos que não acreditavam num futuro em conjunto mas disseram que sim no dia da verdade. Fomos bons um dia, eu sei. Mas tu não sabes mais dizer a verdade, tu não sabes mais gostar de mim pelos dias-não, não consegues mais achar que os dias-sim valem a pena. E eu sei qual é o teu tipo de casal e o teu tipo de amor, mas também era suposto saberes o meu, também era suposto saberes quem sou, também era suposto amares-me por aquilo que sabes.

um dia papá

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derrames junto do douro e tão longe de mim

Catarina é um pouco de nada e um pouco de mim, um pedacinho de tudo o que amo e tudo o que temo. Coração forte mas morto, fígado intacto depois de um verão numa herdade. Catarina era o sonho de alguém confuso como eu, os delírios de alguém que nunca sabe onde é o seu lugar. Catarina sou eu e és tu. Tudo o que a rodeia é um pouco de nós. E quando leres as suas páginas, sentires a sua dor, a sua paixão, tu vais ver-te espalhado pelo corpo dela., tu vais ver-te espelhado nas minhas letras.

derrames abertos

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cada um escolhe o seu fardo, corre atrás do prejuízo. escolhe-se as drogas e recolhe-se o pagamento. nunca fomos mais do que carne e osso, nunca fomos mais do que os humanos assustados que éramos quando nos conhecemos. o corpo paga sempre, paga e cobra-nos o tempo e o rasto. cada um escolhe o modo de venda, aquilo que vende aos outros e que dá de si mesmo.  eu escolhi-te a ti.
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"Por ti renego, por ti aceito Este corcel que não  sossego À desfilada no meu peito. Por isso digo: canção castigo Amêndoa, travo, corpo, alma Amante, amigo."  Fernando Tordo - Cavalo à Solta

Derrames de gente só

Acordei de um sonho bom fruto de memórias nossas, a realidade soava a picadas de abelha, toda pele doia e inchava. Quando ganhei forças para me levantar, parei em frente do espelho de corpo inteiro do quarto. A imagem era abominável, um corpo antes magro estava agora alargado, o cabelo encaracolado e ruivo havia sido substituído por uma cabeça careca e sem cor, os olhos negros estavam agora tapados pelo inchados da noites que não dormi. O coração que tanto havia palpitado nas noites em que me possuías, estava desaparecido, quase no meio do peito havia um enorme buraco, um ferimento com entrada e saída, quase visível se tornava a parede atrás de mim, as tripas fora do corpo, o corpo sem preenchimento, um buraco sem possibilidade de cicatrizar. Desci as mãos até a barriga que tanto me envergonhou e não senti nada, nem gelo, nem fome, o estômago estava vazio, as borboletas tinham ido embora. O sangue escorria-me por entre as pernas e o ventre doía-me, o corpo curvava-se. Ao amor era i...
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"I find it kind of funny  I find it kind of sad  The dreams in which I'm dying are the best I've ever had."
Era noite cerrada naquela manhã em que me acordaste. A tua voz soava ainda a mel, aconchegando-me o sono e o acordar como os meus lençóis de flanela. Ao inicio a tua voz nao fazia qualquer sentido, as palavras nao eram audíveis aos meus ouvidos por despertar. A falta de clareza na madrugada não durou muito e rapidamente o teu toque tornou-se real como os espinhos ainda de pé da rosa que me ofereceste e que rapidamente perdeu todas as pétalas. Os meus olhos viram nos teus lábios que já não eras esmeralda ou extinto, já não eras meu porque a noite ja se havia despedido no horizonte. "vais embora?" julgo ter perguntado. A minha memória não guardou totalmente a tua resposta, apenas a ideia que transmitiste: um ultimo beijo na testa, a mão a passar suavemente no meu rosto em tom de despedida. A porta bateu, a visão das portas do armário semi vazio desvaneceu nos meus olhos que cerravam com a noite a chegar novamente. Bom dia dodô.

derrames de perigos

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Eu estava tão ocupada em amar-te que me esqueci de mim no meio, esqueci-me que eu não sou o modelo de um doce mulher que vai estar em casa a fazer-te o jantar a cada dia que chagares. Esqueci - ou apenas só agora reparei - que tínhamos objetivos diferentes com os mesmos meios, e só um de nós conseguia fazer o caminho. E eu fui fazendo o caminho a teu lado, em direção à tua meta, com vista apenas um futuro que eu não sabia o quão certo seria. A verdade é que eu não estou preparada para o final de quarentão que esperas de mim, não quero o sexo monótono ou um beijo que vai sempre saber ao mesmo. Quero uma algazarra de almofadas, algo que nunca foi feito antes, algo criado de novo todos os dias, quero uma rosa cheia de espinhos onde possa cravar os dedos com força de vez em quando. Talvez - dirias tu - as nossa definições de amor sejam ainda muito diferentes e tu estejas - afinal de contas e como tanto esperaste - destinado a outra pessoa que não sou eu e a outro tipo de meta ...

derrames de corações lascados

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Eram seis da manhã quando o meu coração parou naquela cama, a minha respiração acelerada da tua companhia cessou por fim e os meus olhos ficaram cravados nas profundezas daquele tecto de um branco sujo. O teu corpo descansava ao meu lado, os teus braços de estrutura média abraçavam o meu peito imóvel e - se ainda me fosse possível ouvir - a tua respiração entrava no meu ouvido como uma musica de embalar tolos. Sim, tolos, assim me sentia eu enquanto me levantava sem os teus braços mover e ficava de pé a ver o teu rosto iluminado pela luz da lua que entrava naquela janela sem estores. O tempo corria-me nos dedos como sangue de um ferida e tudo me faltava, nada estava no sitio certo. E assim me questionava sobre qual seria a grande peça que faltava, aquela que me fazia sangrar dos olhos lágrimas que não se vêem, só doem. Seria amor, essa fábula para gente nova? Talvez fosse esse grande encaixe que me faltava naquela cama, entre aqueles braços apenas sentia conforto...

Derrames de netos de amam e nunca esquecem

"Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz. Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por ...
Era quase verão quando acendeste a lareira naquele meu palácio de paredes, sem chão ou tecto, só barreiras. Ajeitavas ainda os troncos com cuidado quando ainda queimavas marshmallows junto da minhas pernas cansadas de estar de pé a convencer-te de que era árvore. A verdade é que o calor do verão ajudava as labaredas a ficarem de pé e iam derretendo o que sempre foi gelo no meu peito. Mas o verão acabou e os troncos que queimavas iam aguentando o inverno gelado nos nossos olhos cansados e nos teus menos sinceros e a lareira não acabou, sobrevivemos então à neve sem que troncos fossem substituídos, apenas estragados, e cada vez menos, cada vez mais frio iam ficando os meus dedos com a achegada da primavera. Por vezes, sentia quase a relva a crescer por baixo dos meus pés e sentia-me quase que amparada, quase que encontrada. Mas mais troncos tu não trazes e juntos ficamos a ver o fogo extinguir-se com o anunciar da tua partida, e o meu coração não parte, congela. E com o verão a chegar es...