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saudades minhas

Era um dia quente de um verão gelado e o sol queimava-me a pele pela madrugada. A minha boca seca pedia por algo que não água, algo que não tu. O meu coração estagnava lentamente no meu peito, meio morto, meio teu. A minha cabeça gritava por consciência, clareza, por sentimentos claros e razão. Esta era a pior parte do verão, a dor de não saber o meu lugar, a dor de não saber quem sou e no que acredito. E as mãos tremem enquanto escovam este meu cabelo ruivo que despenteaste a noite toda, e a alma dói-me por ainda sentir os teus dedos enrolados nos meu caracois, os teus dedos dentro de mim, fazendo-me pecar em todas a definições possiveis ao homem. Sempre fui pecadora e sempre fui mentirosa. Esse não era o meu medo. Não era sobre arrependimento ou sobre lealdade. Era aquele aperto, aquela sensação suja que tinha quando me olhava ao espelho pela manhã. Maquilhagem tirada e cara lavada mas ainda assim não reconhecer quem te olha de volta, não reconhecer o rancor, o vazio e a impure...
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Quando era mais nova adorava que me dissessem: "fala sobre ti". Eu era tudo o que eu sonhava e idolatrava ao mesmo tempo e sempre me considerei segura para responder a tal pergunta. Mas os anos passam, os órgãos congelam e a sensação de estar doente, a lembrança do sangue a escorrer e das poças vermelhas no chão, causa nostalgia . Eu era uma boneca partida, era uma mentirosa (e tão boa como poucas), um ser infiel aos outros e a si próprio. E esta é a ultima caracterização que tenho de mim. Não era uma bonita imagem ao espelho e não é uma boa memória. Mas é tudo o que tenho e é quase tudo o que me ajudou a chegar até aqui. Mas o que é aqui? Que merda de sítio é este? Tenho o coração num canto e o cérebro olha para um lado diferente. Já soube o que era em tempo, e guardo com a carinho a sensação de conhecer quem somos. Mas eu não sei quem somos nós . E não sei de todo quem é aquela cabra que olha para mim com desdém ao espelho.
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'Cause there's this tune I found that makes me think of you somehow and I play it on repeat
Sempre jurei saber o meu lugar no mundo, sempre soube voltar a casa independentemente de onde o meu coração se deitava. Hoje olho no espelho com vergonha, estou perdida e não sei mais onde é o meu lugar.   
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" You love pink " " No, pink loves me " Modern Family

"Not today"

Foi difícil para mim chegar onde estou, ser o que sou hoje. Ainda neste presente, todos os dias tenho dúvidas, todos os dias há pelo menos um segundo em que olho para trás com medo. Mas a beleza de tudo está nestes pequenos momentos, não nas certezas nem nas utopias, mas sim nos arrepios, nas palpitações, nas lágrimas e na esperança. Sempre fui uma pessoa céptica, não sou de certo a maior sonhadora que o mundo já viu, e de longe a mais optimista. Mas aí está. O pico da minha adolescência já está marcado, ainda nem acabou e eu sei o que vai deixar cicatrizes. E sei que apesar dos amores, das grandes amizades, das famílias, as minhas memórias estarão para sempre inundadas de sacrifícios, paredes brancas, um chão coberto de sangue e iras que não consegui controlar. Mas naqueles momentos, horas, instantes, em que o meu inconsciente e consciente lutavam pela minha salvação e morte, eu escolhi ficar. Porque há sempre um momento, tal como há sempre um momento para decidirmos começar a...

Lucky 13?

É verdade que grande parte das nossas vidas não podem ser contadas pelos anos, e espero que - num futuro não muito próximo - um ano da minha vida não seja tão forte como foram todos eles até agora. 2013 foi para mim -  especialmente para mim - o ano depois do fim do mundo. Um ano que ficou marcado por reviravoltas, mágoas e grandes perdas.  Fica também neste ano que termina tão tarde, as minhas ultimas memórias do primeiro e talvez maior amor da minha vida. Fica a mágoa e a saudades que as lembranças me trazem e a vontade de voltar atrás, de um último passeio ao longo da praia, uma última corrida, um ultimo trambolhão das escadas. Só mais um dia pediria eu a quem mo pudesse dar, mais uma hora apenas, uma última despedida. Este ano trouxe-me também surpresas, e amigos que nunca acabam para uma vida inteira de loucura. Deu-me uma família nossa, de capa traçada e negro aos ombros, encontrei amigos que ficarão para uma eternidade intemporal. Deu-me certezas e muitas surpresa...
As minhas mãos tremiam sobre aqueles lençóis num misto da melhor e pior noite da minha vida. O meu peito doía, e no fundo deste algo negro ia crescendo pouco a pouco. Não era mais quem prometera ser, fiel, incondicionalmente àquilo que se ama. Ou talvez já não amasse mais.  As paredes estavam cobertas de sangue, o tapete ensopada naquele fluidos quente, vital e incolor que ninguém via, só eu. Ele sorria-me na ponta da cama e passava as mãos suaves sobre as minhas pernas de criança. Eu era uma criança nos seus braços, nos braços de alguém não tão mais velho que eu e que agora me pertencia como nenhum outro. E o mundo caia-me por entre os dedos, cerrados de pânico enquanto me apercebia, pouco a pouco, que aquele domingo iria assombrar me até ao fim dos meus dias. Ou não, a minha noção de consciência sempre deixara muito a desejar. - Tens um corpo lindíssimo - não sabia ainda eu que aquela frase me assombraria sempre e que, assim que alguém pronunciasse algo semelhante, eu voltaria aq...
Talvez eu esteja eternamente destinada a esta solidão amorosa à qual fui moldada. Cansada fiquei facilmente de me tentar encaixar onde não pertenço e de amar aquilo que não era meu para amar. Quando ele me abraça com força e me sorri com saudade eu sei que o amo e que este é o meu lugar. O meu lugar é um amor assim, onde não dói ir embora e é divertido poder ficar. Fomos feitos de matérias diferentes, rascados de memórias que o outro desconhece por completo. Talvez a minha maior duvida não seja o amor mas sim a minha necessidade dele ou a minha capacidade de gostar de amar. Amor nunca foi nada para mim, mesmo quando o amei com tudo o que havia para dar, eu continuei com tanto para mim, tanto que não era amor, tanto que era maldade e luxurias minhas. Porque o seu sorriso diz me sempre que está cheio de tudo, até de mim, das minhas pequenas maldades e ate quando se chateia eu sei que é por amor. E eu olho-o e sorriu e fazemos amor como se fosse lua de mel outra vez, mas eu sinto-me tão v...

à fful

" A Praxe é ingrata, ponto assente. Não há pastilhas que atem de novo as minhas cordas vocais. Não há água que reponha o que camisa absorveu ao longo de um dia. Não há gelo que acalme a dor nas plantas dos pés, que aguentaram o peso, de sol nascer a sol pôr. Não há alimento que encha o estômago, negligenciado a troco de mais um jogo. Não há Santa Paciência que beatifique as barbaridades que oiço, mesmo nas perguntas mais simples. Não há almofada que passe mais tempo encostada à cara do que a minha própria capa. Fiz noitadas, preparei equipas, equipamentos, o traje, trajes, figurinos e adereços, músicas, gritos, pinturas, a mente, o corpo. Dispendi sono, calorias, muitas calorias, voz, tempo, amigos, criatividade e imaginação, sola, mais calorias, saúde, dinheiro, interesses pessoais, férias. Mas há algo que paga tudo isto. Os primeiros sinais são simples. O sorriso cúmplice quando as flexões se tornam insuportáveis. A reposta soprada ao ouvido, ao colega recém-chegado. As gargan...
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“Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse ou se ao menos me desses as mãos como quem beija e não partisses, assim, empurrando o vento com o coração aflito, sufocado de segredos; se ao menos percebesses que eram nossos todos os bancos de todos os jardins; se ao menos guardasses nos teus gestos essa bandeira de lirismo que ambos empunhamos na cidade clandestina Quando as manhãs cheiravam a óleo e a flores... e o inverno espreitava ainda nas esquinas como uma criança tremendo; se ao menos tivesses levado as minhas mãos para tocar os teus dedos para guardar o teu corpo; se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos onde o teu rosto se esconde no meu rosto e a minha boca lembra a tua despedida, talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer essa cor perdida nos teus olhos.” Joaquim Pessoa
"We met it seems, such a short time ago. You looked at me, needing me so. Yet from your sadness, our happiness grew. Then I found out, I need you, too. I remember how we used to play. I recall those rainy days, the fires glowed, that kept us warm. And now I find, we're both alone. Goodbye may seem forever, farewell is like the end. But in my heart's a memory, and there you'll always be."
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Nunca fui dada a grandes epifanias, não sem as escrever, nunca acordei um dia com a sensação de que os meus sonhos e pesadelos me tinham dito algo que eu não sabia. Ou sempre soube tudo ou ainda hoje não sei nada. Considero que no fundo eu não tive um percurso de vida turbulento, não foi de todo o melhor e nunca me foi dado nada a que não tivesse direito, mas não vivi mal. Nasci no seio de uma família muito humilde mas com os melhores valores, que me deu todo o amor e apoio que precisei e que me ensinou grandes lições. Tive uma mãe de sonho, daquelas que contado ninguém acredita, um verdadeiro anjinhos que sempre esteve lá para mim mesmo quando eu pensava que não precisava, insistia que não queria. Quando ainda nem a maioridade tinha atingido - e há tão pouco tempo foi - lidei com alguns problemas na área da saúde e dei por mim num buraco onde me meti a mim mesma. Não fui de todo banhada de sorte nessa altura ou nessa área propriamente. Aprendi valores que não sabia que tinha...
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I´m a writer! I'm a liar!
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Eu era uma céptica como os outros, só mais uma ex-sonhadora com o coração desfeito em mil pedaços. O meu cepticismo foi parte do que me fez unir as peças, parte do que me fez ser o que sou e ver as coisas do modo cruel que as vejo. Nunca serei uma optimista como tão poucos ou uma apaixonada como a maioria dos novos. Colar aquilo que era meu, juntar todos pedaços demorou-me bem mais do que os séculos que vivi acorrentada entre mim e os outros, demorou bem mais do que as palavras que me são conhecidas. Sinto-me em pedaços, tudo o que sou em mil pedaços de memórias minhas. Tudo porque caí no mesmo erro cínico de tantos outros, uma optimista e sonhadora em relação à vida, em relação à esperança inconsciente que colocamos naqueles que nos são tão irremediavelmente queridos. Vida e morte, foda-se tiraram-me tanto! Hoje, e em muitos outros dias como hoje, o meu coração está partido pela vergonha de ser quem sou, pela aceitação de coisas em que nã...
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" E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." Miguel Sousa Tavares

Saudades de almas puras

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Nunca senti este tipo de solidão, esta pancada pela tristeza, talvez porque alguém nunca me tinha deixado antes, não deste modo, não comigo ao seu lado. Outrora sentia-me tão mais segura, como se o meu modo de ficar sozinha me mantivesse sempre acompanhada. Enchi as minhas horas com tantos copos sem conta e tantas noites fora de casa que me sentia ocupada, com a alma vazia mas a mente sempre cheia de qualquer coisa sem significado. A morte , traiçoeira como a conheço, tem destas coisas, deixa-me sozinha quando estou deste modo tão rodeada de tudo. Sei que um dia todos temos de ir para casa, todos temos de acordar nem que seja com o copo de água fria. E eu fui avisada, e acordada a meio de tantas noites das minhas, mas eu continuava simplesmente a sonhar, a deixar passar os sustos e os avisos, porque a vida parecia tão preenchida assim.  Eu não sabia o que era estar vazia. eu não sabia o que era estar vazia até à um mês atrás. Eu não conhecia a dor como a conheço agora, não ...
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Quando somos novos, como eu, outros chamam nos de futuro. Dizem eles que está tudo nas nossas mãos. Os anos desse sentimento de omnipotência nao sao certos mas sao sabidos, os poucos anos passam e somos nós que os fazemos, ninguém cresce ou morre, estamos na terra do nunca. Aqueles que nos são queridos vivem para sempre, não esta nos nosso planos do futuro a morte daqueles que nos são tão nossos. E quando, em tão fresca sensação de omnipotência somos levados a tomar a morte como solução, somos obrigados a escolher a favor do abate, e temos de dizer adeus. Nós que temos tudo nas mãos perdemos os dedos para agarrar, perdemos a garra. E de repente o mundo escapa, já não é mais nosso e já não o queremos mais. E é certo que nem todos somos forte, e que alguns tem quatro patas e valem a pena. Obrigada pelos melhores três anos de guerras e alegrias. Nem todos podem viver sãos para sempre, mas prometo te uma eternidade de saudades e memórias.
O meu coração são cinzas entre as tuas mãos firmes, não vês o que fazes, não vês o que sinto. Sinto-me o teu pior pesadelo, como se tu próprio nunca me deixasses dormir, sinto-me um nada na tua vida, como se tudo aquilo que tu sonhaste se tivesse desvanecido quando me encontraste a mim. Não sou mais razão do teu sorriso e bem sabemos que não sou razão da tua felicidade, e tu pareces não me querer já como parte de ti, se soubesse como é sentir-me tão insuficiente talvez não enchesses as minha horas de pesadelos, talvez enchesses tudo de carinho. Talvez já nem haja carinho, talvez já nem tenhas amor. Porque no final das contas, é sempre tarde demais. No final de contas eu nunca sou suficiente, aquilo que eu sou não é o que queres. E talvez até só queiras paz e amor, talvez queiras uma utopia que aos teus olhos está tão perto mas que para mim nem sequer é realidade. Eu não sou mais a tua princesa, sou alguém que não queres mais, sou alguém que já é o teu sonho.

Castração a ferros quentes

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A vida provou-me seguidamente que o amor não era suficiente, bom ou não, verdadeiro ou não, nunca é suficiente. Ainda assim, somos tantas vezes iludidos nas palavras dos outros que creio que o amor me quebrou de novo. Não o meu coração em pedaços, que creio que esse esteve sempre desfeito, mas as minhas asas. Durmo, com há anos antes, como um pássaro ferido, que não sabe mais voar ou cantar, apenas gritar de dores, quando dor é tudo o que lhe resta. Não acredito mais em amor, não tenho em mim mais amores perdidos, apenas sexo, dor e miséria. Não tenho mais lágrimas aqui, tenho-as espalhadas pelo corpo que há de gemer nos braços de outros. Sexo é sempre o meu escape, aquilo onde sei que não há lágrimas nem sorrisos, nem amor nem ódio. Partiste-me as assas, não posso ser mais pássaro que voa nem amar posso por pássaro que sou. Dei por mim deitado como quem foi ferido, e isso para ti pode não ser nada, mas mim são muitos retornos, muitas batalhas perdidas. Porque ao amor entreguei as ...